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E a história se repete mais uma vez

O nosso governo capitalista, especialista na exploração do solo e seus recursos naturais, assim como explora tudo que tem oportunidade, e o mercado imobiliário compartilham da mesma definição de território. Tal afirmação, endossa o entendimento de que as ações tomadas pelo governo buscam a todo momento replicar o modelo desenvolvimentista que não têm envolvido os Pataxó, e tampouco as demais tribos da região no que dizem respeito à própria identidade coletiva das comunidades indígenas, tendo em vista que as reintegrações de posses feitas em Porto Seguro e região tendem a beneficiar apenas o processo capitalista tirando o direito constitucional dos povos originários, pois a constituição de 1988 legitimou os índios “sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”(Art, 231)

Em 13 de outubro de 2016 houve a reintegração de posse na Aldeia Araticum; a ação contou com mais de 50 Policias com tratores e máquinas para a derrubada das moradias. A tribo Araticum era formada por 13 famílias que já viviam na “Fazenda Mangabeira” a pelo menos 2 anos e preservava todos os traços da Cultura Pataxó, a aldeia já contava com uma escola, centro cultural e posto de saúde, construções que respeitavam e mantinham a tradição da tribo desde a construção das moradias, assim como dos rituais e atividades cotidianas.

Após a ação de reintegração de posses e sem ter para onde ir cerca de 25 índios da tribo Araticum estão acampados ás margens da BA 001, de maneira precária, com banheiro improvisado, dormindo em barracas e sobrevivendo de doações.

É preciso fortificar os laços de preservação. Não apenas adotando as medidas e procedimentos de conservação  para o material e o imaterial. Cuja imaterialidade está em conhecimentos e manifestações culturais, onde o valor reside justamente na capacidade de transformar os saberes e os modos de fazer a partir das próprias vivências. Mas garantindo que os povos indígenas tenham o direito a terra, podendo assim manter de fato vivas as suas culturas e tradições.